domingo, 29 de abril de 2012

Coma e Morte encefálica

Turma, no nosso último encontro surgiu o questionamento sobre morte encefálica e coma, por esse motivo recolhemos algumas informações sobre o assunto e que acreditamos pertinentes para esclarecimento de algumas dúvidas. Esperamos com isso contribuir de alguma forma. O espaço está aberto para interagirmos com perguntas e comentários.




Qual é a diferença entre morte encefálica e coma?


Ao contrário do que muita gente pensa, morte encefálica e coma não são a mesma coisa. No estado de coma, o encéfalo ainda está vivo e executando suas funções rotineiras, ainda que com dificuldade. Com a morte encefálica, essas funções não podem mais ser executadas.

Mas para que ocorra o bom aproveitamento dos órgãos, depois da morte encefálica confirmada, é necessário que haja cuidados especiais que permitam a preservação do corpo. Por algum tempo, as condições de circulação sanguínea e de respiração poderão ser mantidas por meios artificiais. Será avaliada a história clínica e antecedentes médicos do paciente. São realizados exames laboratoriais, estudada a viabilidade dos órgãos, a sorologia para evitar doenças infecciosas e testes de compatibilidade com prováveis receptores.

Pacientes que sofrem morte cerebral não estão em coma. Pacientes em coma podem ou não evoluir para morte cerebral.

O cérebro é um órgão complexo que controla os processos de pensamento, os movimentos voluntários e involuntários do indivíduo e outras funções corporais vitais, incluindo a sensibilidade auditiva, olfativa, visual e tátil, a regulação da temperatura corporal, pressão sangüínea, respiração e freqüência cardíaca (o coração pode continuar a bater sem o cérebro através de uma "resposta autonômica"). O cérebro também produz hormônios para controlar a função de cada órgão. Pacientes em coma podem estar em coma profundo ou podem sobreviver em "estado vegetativo". A diferença entre estes dois estados é que um paciente em coma profundo requer hospitalização, enquanto um paciente em estado vegetativo pode receber alta e ser atendido pela família em casa. O indivíduo em estado vegetativo possui funções cerebrais inferiores e algumas funções do tronco cerebral superior a mais do que um paciente em coma profundo.

Nos dois casos, o paciente é considerado vivo do ponto de vista legal. Pacientes em coma terão alguns sinais neurológicos. A quantidade de atividade cerebral é variável e os pacientes são submetidos a exames clínicos extensos. O médico observa o paciente em busca de qualquer sinal de atividade elétrica cerebral em resposta a um estímulo externo. Nos pacientes em coma o cérebro reage aos estímulos externos em maior ou menor grau dependendo da gravidade do coma. Isso não acontece nos pacientes com morte cerebral.

O diagnóstico de morte cerebral é confiável?

Há também o receio de que um diagnóstico errado de morte cerebral possa desligar os aparelhos de uma pessoa ainda com chances de recuperação. A morte encefálica é um processo irreversível. Os protocolos para sua confirmação são rigorosíssimos. São inclusive realizadas pesquisas de drogas que poderiam simular uma falta de função cerebral.



Um dos exames realizados é a angiografia cerebral, onde se detecta a falta de vascularização no cérebro. Reparem na foto acima. A imagem da direita mostra um cérebro normal com vários vasos irrigando-o. Comparem com a imagem esquerda, onde não se nota nenhum tipo de irrigação sanguínea. Este segundo é um cérebro morto.

A morte cerebral é um diagnóstico irreversível.

O que é o coma?

Dá-se o nome de coma ao estado de redução da consciência com perda parcial ou completa da responsividade aos estímulos externos. Falando de modo mais simples, o coma é uma redução do nível de consciência, estando o paciente incapaz de interagir adequadamente com o meio externo.

Há vários graus de coma. Uma pessoa em coma pode estar inconsciente, mas ainda ser capaz de apresentar alguma resposta a estímulos dolorosos ou a chamados vigorosos.

Para avaliar a profundidade do coma, usamos uma escala chamada "escala de coma de Glasgow", onde são levados em conta a resposta verbal, motora e abertura dos olhos aos chamados e a dor. São feitos testes simples com o paciente para observar como o mesmo reage a certos estímulos, como dor ou sons. Esta escala avalia o grau de consciência do indivíduo. A classificação varia de 3 a 15 pontos. A pontuação mínima (3 pontos) é dada quando o doente não responde a nenhum estimulo (coma profundo), e a máxima (15 pontos), em pessoas normais que não estão com seu estado de consciência afetado.


O que é o coma induzido?

O chamado coma induzido é nada mais do que uma sedação farmacológica controlada, isto é, um estado de inconsciência provocado pela equipe médica através de drogas sedativas.

As pessoas tendem a imaginar que o coma induzido é uma forma de desligar o cérebro para que este descanse e possa se recuperar de uma agressão. Na verdade o cérebro nunca para. Ele é quem controla funções vitais, como a frequência cardíaca, respiratória, temperatura corporal... A consciência é apenas uma das funções do sistema nervoso central. Se realmente se desligasse o cérebro, o paciente morreria. O que se faz é dar medicamentos que causam sedação.

Portanto, o coma induzido é uma manobra que os médicos utilizam para poderem implementar o tratamento necessário para manter um paciente grave vivo.

Fontes: http://www.mdsaude.com/2009/08/transplante-de-orgaos.html#ixzz1t1MFihzZ

Um comentário:

  1. Olá professora! gostei muito da iniciativa, com certeza o blog irá nos ajudar a estarmos em sintonia toda a semana! Na última aula conversamos sobre a Eutanásia, sobre doação de órgãos, aborto e o caso da anencefalia. Foi muito produtivo. abaixo deixo alguns comentários e referências da aula.

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